terça-feira, 18 de maio de 2010

A caçada ao Pau de Fernanda Young

Ótimo texto escrito pelo Jorge do Detesto Gente Inteligente.
Vale a pena dar uma lida no texto! :D

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A caçada ao Pau de Fernanda Young - 14/04/2010

Semana passada eu tive de dar um pulinho em São Paulo por conta de uns trecos da agência.

Soa bem a frase.
Parece que é uma coisa constante dar pulinhos em São Paulo, sendo eu um empresário bem sucedido que viaja sem mala, como a frase acima quis sugerir.

Seria bom, afinal São Paulo é massa, mas não é.
Desta vez, fui quarta à noite e voltei na madrugada entre sexta e sábado. Só deu tempo de resolver o treco e de chorar de frio de madrugada, no hotel muquifinho que meu querido sócio reservou pra mim, na boca da Praça da República.

Eu já devo ter dito aqui – se não, fica dito agora -, mas eu ODEIO andar de avião.

É uma bosta.
É desconfortável.
Te dão Tubaína sem gás e um saquinho de amendoim. Você ainda tem de agradecer.
Aliás, dica de companhia aérea: webjet. Não vá nunca.

Voltando a blasfemar contra voos: Eu enjoo, meu ouvido estoura e eu sempre, sempre, sempre acho que a porra vai cair.

Sempre.

Lembra da cena da queda do avião do Náufrago, né?
Repasso a mesma em todos os seus detalhes durante a viagem toda.

Essa foi, acredito, a primeira viagem de avião que fiz sozinho na vida, portanto o kit de chiclete-livro-mp3 para me distrair durante o voo foi montado para essa ocasião em específico, e funcionou a contento na ida (apaguei, roncando e babando sobre a passageira ao lado). Imaginei que funcionaria também na volta.

Mas eu hoje sou um cara mais esperto e, racionalmente, tento driblar meu DDA.
As músicas do celular eu tinha ouvido na ida, o livro já havia sido lido e eu ia sambar, sem ter o que fazer durante a viagem. Portanto, esperto que só, resolvi passar numa livraria do aeroporto de Cumbica e comprar alguma coisinha pra ir lendo.

Achei um livro que catei na hora, chamado Superfreakonomics (já tinha lido o não-super e adorado), mas pensei comigo que tava meio de saco cheio de leitura séria. Passeando o olhar pelas prateleiras, vi uma foto em preto e branco de um pescoço de mulher na capa de um livro.

O nome do livro era “O Pau”. Fernanda Young.
Eu sou fã da surtada.
E a foto do pescoço feminino parecia, sem sacanagem, uma caceta.

Achei engraçado o trocadilho visual e, sendo o livro de autoria de quem é, não titubeei: catei o mesmo, passei no caixa, meti a pica no Visa e fui embora.

Tava frio pra cacete – sem trocadilho. Eu tava de terno por conta disso.
Sentei numa cadeirinha do aeroporto pra fazer hora pra embarcar, cruzei as pernas, puxei os óculos do bolso, catei o livro na sacolinha plástica e comecei a ler.

Um senhor que tava sentado na cadeira do lado riu, com um certo tom de escárnio. Olhei pra ele sério e compenetrado sem entender. Ele disfarçou, olhou pro lado. Não entendi. Daí liguei os pontos: um cara de oclinho na cara, perninha cruzada, terno de risca, todo arrumadinho, lendo um livro chamado “O Pau” com uma foto que lembra – com uma certa boa vontade – a cabeça de uma pica.

O coroa deve ter raciocinado sobre mim: o brodi é bicha.
Gelei. Caralho, eu tava altamente bichético nesse figurino.
Guardei o livro na sacolinha plástica.

Sacaneado. Porra, queria ler a bosta do livro, mas ia ficar estranho.

Mudei de cadeira. Peguei o Superfreakonomics, botei sobre a capa do livro da Young e retomei a leitura. Um cara senta do meu lado e puxa papo:

- E aí, indo pra onde?
- Salvador.
- Ah.
- …
- Lendo o quê?

Eu, esperto, levantei os dois livros e fui taxativo, respondendo de maneira macha e viril:

- Superfreakonomics. Sobre economia de incentivos.

O cara nem deixou a bola quicar:

- Não, esse eu vi que você tá na mão: tô perguntando o outro, que tá aberto…

Me fodi. Respondo com um fiapo de voz:

- O pau. Fernanda Young
- Ah… que nome, hein?
- Pois é.
- …
- …

Tentei arremedar

- Fernanda Young é aquela gostosa que saiu com o xoxotão cabeludo na Playboy outro dia aí…
- …
- Mó gostosa. Viu não, mermão? Delícia!
- …

O cara baixou a cabeça, virou pro lado e saiu em cinco segundos.

Embarquei.
No avião, continuei utilizando o estratagema do Superfreakonomics por cima da capa do Pau (lá ele). Claro que teve uma hora em que eu cochilei e o livro caiu, com o Pau pra cima, no meio do corredor.

Um senhor lá me cutucou no ombro: “ô rapazinho, olha aí suas pornografias caindo no chão”.

Cheguei em Salvador por volta das duas da manhã de Sábado.
Peguei o carrinho, joguei meus trecos dentro – inclusive os livros – e fui pro carro, que tinha ficado estacionado no aeroporto. Depois de pagar uma quantidade de dinheiro nababesca pro serviço de parking, fui pra casa.

Chegando, uma chuva do cacete, deixei minha pasta, os livros, o terno e uns papéis dentro do carro. No dia seguinte, vou procurar e encontro tudo no mesmo lugar.

Menos os livros.
Larguei os livros no carrinho do aeroporto.

Fiquei furibundo.
Toca então a ligar pro aeroporto pra ver se o setor de achados e perdidos, por ventura, não havia achado a sacolinha e guardado.
Ninguém atendia.

Depois de um tempo, comecei a achar melhor que ninguém atendesse.
Afinal, como é que eu iria descrever o treco?

- Alô, moça? Bom dia, olha, eu cheguei de viagem na sexta, esqueci uns livros e tal. Será que alguém achou?
- Olha. senhor, tem uns livros aqui. Qual o nome do seu livro?
- …hum, deixa pra lá…

Mas, no bom sentido, a porra do Pau da Fernanda Young não saia de minha cabeça. Pensei em ir numa livraria e comprar os livros novamente, seria mais fácil. Afinal, no Brasil, ninguém devolve porra nenhuma, mesmo…

Mas achei uma sacanagem com meu suado dinheirinho. Daí, na segunda à noite, depois de tentar o dia inteiro falar com o setor de achados e perdidos do aeroporto, resolvi ir lá pra ver in loco se nêgo tinha achado meus livros.

Cheguei, me dirigi primeiramente ao caixa do estacionamento.

- Oi, moça, cheguei de viagem dia tal, esqueci uns livros no carrinho. Tem como ver se tá por aí?
- Olha, senhor, tudo que a gente acha a gente entrega pro pessoal da infraero e tal… Mas deixa eu dar uma olhadinha…

A tia saiu do guichê e entrou numa salinha do lado. Volta um minuto depois.

- Como são seus livros?
- Olhe bem, moça, eles tão numa sacolinha plástica com a marca do HSBC e tal.
- Certo. E que livros são?
- Tem um que se chama Superfreakonomics, tem uma maçã na capa, o fundo da capa é preto, fonte helvética condensada e tal…
- Superfricoquem?
- Superfreakonomics (do alto de meu sotaque jamaican style)
- Ah, moço, assim vai ficar difícil de devolver os livros…
- SUPERFREAKONOMICS! SU-PER-FRI-CO-NO-MI-QUIS!

Nisso, a fila de gente aumentando. Eu suando. Irritado. A tia prosseguiu.

- E o outro livro, você falou que era como mesmo?
- Eu não falei, de fato. Não tão na mesma sacola? São meus, oras.
- Ah, mas se não souber do outro livro eu não tenho como devolver. Tem a nota fiscal?
- Tá na sacolinha, junto com os livros. Acho.
- Não tem nota nenhuma na sacola. Se não descrever o outro livro eu, infelizmente, não posso devolver. Como é o outro?
- Tem uma foto de uma mulher em preto e branco na capa!
- Vixe, então não é esse não…
- É sim, moça.
- O outro livro tem uma outra coisa na capa…
- É moça, parece um… parece um… parece um pinto (um fiapo de voz. A fila inteira prestando atenção).
- Parece o quê, meu filho? Fala mais alto!
- Um pinto, tia. Uma rola.
- Ahn?
- UMA JEBA, UM CARALHO, MINHA SENHORA!
- Epa, não precisa ofender! Ok, parece um pênis, sim. E o nome do livro?

A fila já rindo. Entreguei pra Cristo.

- É O PAU DE FERNANDA YOUNG, MINHA SENHORA. O PAU. DÁ PRA DEVOLVER A PORRA DO PAU DA FERNANDA YOUNG PRA MIM, FAZENDO O FAVOR?

A tia voltou pra saleta, saiu com um sorriso confiante e me entregou a sacolinha com os livros.

- Muito obrigado, tia.
- Não há de quê.
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Para finalizar, nada mais justo que colocar uma foto do livro, né?

4 comentários:

Jacky disse...

USHAHSUAHSUAHSUUAHSUAHSUA xD

Anônimo disse...

essa foto é muito boa. acho que foi tirada por man ray se não me falha a memória

Marcos disse...

Ótimo texto, e muito engraçado!

Dridá Joseph's Sixx disse...

KKKKKKKKKKKKK MORRI RINDO, to louca pra ler esse livro...

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