sábado, 16 de maio de 2009

Pérolas e Estrelas

Esse texto não é meu, e eu não faço a mínima idéia de quem seja o autor o_o'
Então se alguém quiser colaborar e me informar, eu agradeço o/

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Pérolas e Estrelas

“Quando sair para buscar pérolas, não se esqueça de contar as estrelas”.

O sol já estava se pondo e o fim da tarde era anunciado por algumas poucas estrelas que começavam a aparecer no céu alaranjado daquela primavera...

Era uma menina estranha, aquela que ali contava as pérolas. Ele não se intrigava com pouco, não se surpreendia com nada. A visão de uma criança debruçada sobre o rio não era das mais espetaculares. Não atraía todos. Só que a ele, atraiu.

Com passos tímidos, Apolo em seus 15 anos aproximou-se da figura pequenina. Como se cada estrela falasse sobre ele, o lustroso brilho dos cabelos negros cegou-lhe por instantes pequenos. O dourado, diziam, não pode ser comparado ao prateado, mas ele gostava de imaginar que seus olhos não eram especiais. Odiava vê-los no espelho, queria-os castanhos. Queria seus cabelos negros. Invejou já a menina. Ela era perfeita.

“13 pérolas... preciso de mais...”.

Que vozinha irritante aquela menina tinha! Parecia estar a choramingar algo. O jovem não gostava de pessoas choronas. Na verdade, eram poucas as quais ele gostava, pois quase nenhuma gostava dele. Então, fazia questão de que o sentimento fosse recíproco.

“14... falta só mais uma...”.

Como ela achou tantas pérolas - perguntou a si mesmo no silêncio da noite, curioso além da conta. Sentiu que as estrelas riram dele e olhou para o céu com ares zangados. Jurara que ouvira a risada delas. E não precisava ficar mentindo. Ele ouvia estrelas sim! Aqueles moleques sem sensibilidade do vilarejo que não sabiam de nada e ficavam caçoando!

Nunca vira aquela menina por tais bandas e isso o irritou. Seu pai era dono de toda a região, tinha que saber quem subia e quem descia cada montanha.
Quem catava cada pérola.

“Ei, você”.

A menina deu um sobressalto, os ombrinhos pequenos movimentando-se num pulinho assustado.

“Que é que você ta fazendo aqui?”, Apolo perguntou, já esperando, sem grande emoção, que ao virar-se, a menina soltasse um grito e de tão desesperada, caísse no rio. E ele iria rir, porque a correnteza ia levar a ela e aquelas malditas pérolas dali.

Decepcionou-se e novamente, as estrelas riram. Quando a menina se virou, o brindou com um sorriso brilhante e os olhos castanhos que ele sempre quisera ter. “Pegando pérolas”.

“E quem deixou?”.

Ela riu de novo. “Você fala engraçado”.

Fala engraçado... Fala engraçado...

Ah, mas que droga! Todos caçoavam dele! Aquela menina, o povo do vilarejo, as estrelas!

“Sou Selene, muito prazer”.

“Muito prazer uma ova! Essas terras são...”.

“Ah, sim, são das pérolas... elas me contaram que gostam muito deste rio”.

Agora foi Apolo que riu, e com vontade. As estrelas ficaram mudas.

“Deixa de ser boba, menina! Pérolas não falam!”.

O rosto suave transformou-se em uma carranca não menos doce, que não intimidaria ninguém, muito menos a ele. E a voz também saiu com um pouco mais de firmeza, salpicada com melancolia típica dos humanos. “Falam sim, se quer saber. E ficam tristes quando eu conto e ninguém acredita nisto. Você é um menino muito bobo se pensa que só quem tem boca pode dizer alguma coisa. Ás vezes, quem não tem é bem mais sábio que quem tem”.

É verdade... É verdade...

Aquela situação era um absurdo. Ele, somente ele, Apolo, escutava estrelas. E elas, apenas elas, estrelas, falavam! Pois tinham o dom maravilhoso de observar tudo do lugar mais alto, o céu. Pérolas não podiam falar. Ficavam fincadas dentro de uma ostra e nada viam. E quando vissem o que diriam? A vida vivida em uma redoma não reserva experiências suficientemente boas para serem divididas. Ainda mais com uma humana de sorriso tolo.

“Achei mais uma!”, ela ergueu a pérola entre os dedos, repleta de contentamento. “Finalmente achei minhas quinze pérolazinhas... elas vão ser imensamente felizes onde eu as colocarei!”.

“Você não pode levar esses troços aí não!”, sentou-se ao lado da jovem e fitou com desinteresse aquelas bolinhas sem brilho.

“Vou levá-las sim”, ela afirmou com sua pomposa felicidade. “Por que o único lugar melhor do que o bonito rio é o céu”.

“E como planeja colocá-las no céu?”, perguntou, com sarcasmo.

Ela pode... Ela pode...

As estrelas estavam especialmente irritantes naquele dia! Deu com os ombros e balançou a cabeça para esquecer as vozinhas finas e voltou sua concentração em Selene.

“Vou fazer com elas uma bela coroa. E irei usá-las, todos os dias, para que elas vejam o mundo de um lugar seguro e iluminado”, a moreninha disse. “Recolhi quinze pedrinhas correspondentes aos meus anos. Não planejava, mas hoje, quando passava por este rio, ouvi-as dizendo: Pegue-me, pegue-me! E eu atendi ao pedido. Enquanto eu as recolhia de dentro das mamães ostras, elas contavam-me maravilhas dos mares que navegaram. Contavam-me também das sereias e dos marinheiros apaixonados. Imagine quantas histórias mais elas podem me contar?”.

“E você acreditou? Você é muito tola mesmo! Pérolas não vêem nada, elas estão cerradas nas ostras!”.

“Sua prepotência é exagerada e eu não permito que ofenda as pérolas desta maneira. Elas viram muito, mais do que qualquer outro ser!”.

Isto não... Nós vimos mais... Nós vimos mais...

Agora, estrelas e pérolas brigavam. Apolo ouvia apenas os murmúrios das pequeninas prateadas, enquanto Selene tentava entender os gritinhos das pérolas sobre suas mãos.

Apolo refletiu por pouquíssimos instantes. Havia uma amiga de sua mãe sempre em sua casa que dizia que o vento falava com ela. Chamava-se Pandora e era uma coisinha muito arrogante. Apesar de seus modos insuportáveis, o jovem jamais desacreditara em nenhuma de suas palavras. E seu irmão Dionísio, igualmente intragável e duas luas mais velho do que ele, dizia que podia escutar os animais. Acreditava também. Acreditava em tudo, em todos.
Porque ninguém podia acreditar nele?

“Parece que minhas pérolas estão discutindo com algo...”.

“Com as estrelas”, soltou um murmúrio envergonhado.

“Com as estrelas!”, as faces de Selene ficaram avermelhadas e bonitas. Apolo sentiu as próprias corarem diante daquela manifestação de fascínio. Nada o fazia brilhar daquele jeito. “Que adorável! Você as escuta?”.

“Não há nada de adorável em escutar estrelas. Elas são muito reclamonas”, e ao que parecia, haviam dado uma pausa na discussão com as pérolas para xingar-lhe dos nomes mais feios. Sábias eram, mas de gênio difícil também. “Tão dizendo, por exemplo, que a vida que viram do céu é magnífica. Sabem que a chuva, acima das nuvens, é colorida. E que existe o arco-íris que ninguém vê... Aquele que não chega a terra porque é bonito demais pros olhos nossos”.

“E as pérolas estão respondendo que nas profundezas do mar, tudo também é colorido. E que qualquer manifestação de brilho é comemorada pelos cantos mágicos dos seres que lá habitam... difícil saber quem ganharia tal briga, não é?”.

“As estrelas, menina... as estrelas ganhariam...”.

“Como pode ter tanta certeza?”, Selene perguntou.

“Por que... elas são muitas. Onde uma morre, nascem mil. Onde mil morrem, nasce um milhão. E assim por diante. E um fator que as ajuda também é que...”, notou o tom amargurado em sua voz, esta ecoou para o céu, as pérolas pararam de discutir com as estrelas e todas olharam para Apolo. “São todas iguais. Não existe preconceito. Onde uma brilha, a outra também brilha e ambas, elas são ainda mais brilhantes. São irmãs gêmeas, nada é mais bonito, nada é mais feio. Então, elas ganham”.

Selene o fitava sem piscar. Apolo perdeu-se naquele mar acastanhado, gostou de se ver através dele. Naquele espelho escuro, seus cabelos não tinham tal coloração que desgostava tanto e seus olhos eram claros, mas não dourados. Não aberrações, como ele assim achava.

“Mas... mas sabe... você tem razão por um aspecto. Por outro...”, ela pegou sua mão e o movimento ousado o fez enrubescer. Na palma dela, depositou três ou quatro pérolas, ele não prestava atenção nelas, só nos lábios e na voz que não parecia tão irritante como antes. “Veja-as e sinta-as. São todas diferentes, mas não deixam de ser irmãs. Admiram umas as outras e sentem inveja das nuances e das cores desiguais, mas ainda assim, amam-se. Você pode querer ser igual a todos, mas aí, não será só você. Será todos, e ninguém vai te amar pelo o que você é”, ela olhou para estrelas. “Não se preocupem, pequeninas, sei que amam muito. Compreendam também que, se uma de vocês fosse diferente, alguém iria amar. E outro alguém iria odiar. Isso é normal”.

As estrelas e as pérolas ficaram caladas. Ali nasciam dois sábios. Diziam palavras bonitas e profundas para que pudessem se compreender. Decidiram não mais brigar. Só elas sabiam que daquele encontro raro nasceria um bonito e inocente amor.

“Vou indo”, ela colheu as pequenas pérolas de sua mão, sob seu olhar admirado. Queria saber mais, queria ouvir mais.

Quando ela voltou-se para a floresta enegrecida, Apolo segurou-lhe um pulso, impedindo-a de ir. “Selene!”.

A menina sorriu. “Sim?”.

“Quero... quero... quero saber mais do mar... quero que as pérolas contem mais”.

Nós também... Nós também...

“E eu prometo contar em troca sobre a experiência das minhas estrelas!”.

Contaremos tudo... Tudo... Mas ela... Ela tem de ficar...

Selene sorriu com o convite e sentou-se ao lado dele novamente. Antes que falasse de pérolas, sussurrou um tanto envergonhada. “Queria falar com as estrelas também...”.

Apolo soltou um muxoxo igualmente tenso e declarou. “Também queria falar com pérolas”.

E naquela noite, sobraram mil e umas histórias. Histórias do menino. Da menina. Das estrelas. E das pérolas.

...Fim...

~ • ~ • ~

3 comentários:

Paula disse...

Ps: não li o texto... sinceridade é tudo!
PS2: Him manda!!!
Ps3: O computador foi dominado por um espírito maligno... asuhasuha...

SÓ PRA AVISAR QUE EU TROQUEI DE BUTTON... BJSBJS

Paula disse...

a versão dublada é deprimente... pelo menos eu achei... siiiiiiiiiiiim!!!
HIM é vida!!
tipo... muuuuuuuuuuuuuito bom!!!
*o*!!!!

Anônimo disse...

o texto é uma fanfic acho, mas tb desconheço o autor :s

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